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20 de Novembro de 2017
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    Professor, não sei nada! O último suspiro antes da prova de domingo.

    Leonardo Castro, Professor de Direito do Ensino Superior
    Publicado por Leonardo Castro
    há 6 meses

    Sem dúvida, a frase que mais ouvi nos últimos dias.

    Dos participantes dos ciclos (www.professorcastro.com), posso afirmar sem medo: estão todos preparados.

    Em relação aos leitores que não tive contato, tenho três questionamentos:

    1º Memorizaram as estruturas das peças?

    2º Aprenderam a usar corretamente o vade mecum?

    3º Tem conseguido nos treinos, em média, 50% da nota da peça?

    Se sim para as três perguntas, fiquem tranquilos. Vocês estão preparados.

    Lembrem-se: não é preciso tirar 10 para passar. As quatro questões valem 5 pontos. Em regra, uma delas é bem fácil - um presente da FGV. Portanto, 1,25 já está garantido. Ademais, com mais uns 2,5 da peça, já temos 3,75 em conta.

    Se já temos 3,75 garantidos, precisamos lutar pelos 2,25 restantes nas outras três questões.

    Vejam que esse meu cálculo considera um acerto de 50% da peça. Nos ciclos de correção, percebi que a média sempre fica acima de 3 pontos. Portanto, a previsão de acerto de apenas metade da peça é bem pessimista.

    Em todos esses anos acompanhando o Exame de Ordem, sempre ouvi duas justificativas para reprovações:

    1ª Por nervosismo, o examinando não consegue ter paciência para procurar as respostas no vade mecum.

    2ª Por receio, não falou em algo, por achar que estava errado, mas a omissão foi pontuada pelo gabarito.

    Nunca ouvi alguém dizer que reprovou por não saber o suficiente. Logo, o problema não é falta de conhecimento.

    Quanto à primeira justificativa, imploro: tenham calma! No dia da prova, se, em algum momento, vocês começarem a folhear desesperados o vade mecum em busca de respostas, parem tudo e se acalmem. A 2ª fase é um trabalho de pesquisa, e não um teste de conhecimento. Leiam o enunciado com muita calma, sem pular palavras. Sempre que encontrarem um "gancho", façam um círculo para pesquisá-lo posteriormente. Exemplo:

    José, agricultor, primário, de 20 anos, subtraiu um relógio. No entanto, desconhecia o fato de que o relógio pertencia a Francisco. Isso porque, dias antes, havia ganhado, de presente, um relógio idêntico, e imaginou que fosse o seu.

    Os ganchos:

    José, agricultor, primário, de 20 anos, subtraiu um relógio. No entanto, desconhecia o fato de que o relógio pertencia a Francisco. Isso porque, dias antes, havia ganhado, de presente, um relógio idêntico, e imaginou que fosse o seu.

    De cara, já sabemos que se trata de crime contra o patrimônio. Dos ganchos, surgem três perguntas: a) ser primário influencia no furto? B) Ter 20 anos influencia em algo? C) Não saber que a coisa pertencia a outra pessoa influencia em algo? Todas as respostas estão no vade mecum. Basta ter paciência para localizá-las.

    Caso o problema seja organização, é interessante atribuir números aos ganchos. Exemplo:

    José, agricultor, primário (1), de 20 anos (2), subtraiu (3) um relógio. No entanto, desconhecia o fato (4) de que o relógio pertencia a Francisco. Isso porque, dias antes, havia ganhado, de presente, um relógio idêntico, e imaginou que fosse o seu (5).

    Na folha de rascunho, anotem os números e façam os apontamentos. Mais ou menos assim:

    Peça

    1) CP, art. 155, § 2º.

    2) CP, art. 65, I.

    3)...

    4)...

    Concluída a pesquisa de cada gancho, basta elaborar a resposta.

    A aprovação na 2ª fase só depende de organização e de tranquilidade para a busca por respostas.

    Ainda sobre o nervosismo, atenção: a prova é muito cansativa e o tempo é muito curto. Se, em algum momento, bater cansaço - e isso vai acontecer -, peçam ao fiscal para ir ao banheiro. Lavem o rosto, estiquem as pernas e bebam um pouco de água. É normal levantar da carteira e sentir tontura. Acontece com todo mundo. Essas saídas de sala renovam as forças.

    Ademais, não desistam da prova. Ainda que o cansaço seja grande, lutem até o fim.

    A segunda causa de reprovação é a omissão de pontos importantes.

    "Será que devo falar isso?". SIM!

    Se algo parecer pontuável, peçam! Não economizem palavras. Caso não esteja no gabarito o que foi dito, a nota não será prejudicada. Dizer além do gabarito não é ruim. Na prova passada, uma leitora me disse que havia perdido mais de 1 ponto na peça por ficar insegura em alegar determinada tese de defesa. É isso que mais me preocupa.

    Portanto, peçam tudo!

    Ah! Uma última dica. Essa é incomum, mas sempre acontece com alguém. Vejam se estão respondendo no lugar certo. Há folhas específicas destinadas para a peça e para cada uma das questões. Já vi gente pulando folha na peça (ex.: da n. 1 para a n. 3) e respondendo as questões nas folhas erradas. Não reprovem por um vacilo desses!

    Em resumo:

    I. TENHAM CALMA! IDENTIFIQUEM OS GANCHOS E SEJAM PACIENTES NA BUSCA POR RESPOSTAS.

    II. QUANDO BATER O CANSAÇO, PAUSA PARA O XIXI. LAVEM O ROSTO, ESTIQUEM AS PERNAS E VOLTEM PARA A BATALHA.

    III. NÃO DESISTAM DA PROVA. QUANDO BATER O DESÂNIMO, RESPIREM FUNDO E SIGAM EM FRENTE.

    IV. NÃO ECONOMIZEM NAS RESPOSTAS. PEÇAM ALÉM.

    V. PRESTEM ATENÇÃO AO LOCAL ADEQUADO PARA CADA RESPOSTA.

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    Trazendo sempre um alento aos que estão buscando chegar. Sempre Parabéns. Abraço Professor. continuar lendo